terça-feira, 12 de junho de 2018

12 de junho é um dia da semana


dia 12 de junho, há anos sendo um dia semana.
há anos sendo o nosso dia. 
coisa de quem? do comércio, do dinheiro, do amor. 
a gente pode celebrar todo dia, mas hoje, poxa. hoje é hoje. 

é hoje que eu quero a melhor foto nossa.
foi hoje que me deixei levar pelas palavras e disse mais que eu te amo.
são tantos jeitos de ser um casal, tudo tão pós-moderno. 
hoje posso ser um casal solteiro, vai entender! 

hoje muita gente não quer ficar, mas eu quis.
quis pagar um preço de muita coisa que é até barata.
quis me preocupar com presentes, velas e jantares.
poxa, é só um dia. por que a gente tá pensando tanto? 

o amor incomoda de tantas formas.
mas não é essa inveja aí que você acha que as pessoas cultivam do seu relacionamento.
o amor incomoda pois ele mexe. faz turbilhão nas calmarias e nas certezas. 
o amor que ultrapassa a foto, que vai além do texto, que fixa o olhar. 
dia 12 de junho, dia de ser mexido. 

quero mas duvido. 
duvido demais da minha coragem e da dos outros também.
guardei o texto no bloco de notas, o presente eu já arquitetei com nossos gostos. 
dia 12 de junho. vai chegar de novo.
e a cada ano, eu vou entender algum sentido do amor.
que é plural, singular, meu, teu, nosso.
é amor, sempre. 

trilha sonora: "do nosso amor, a gente é que sabe"
último romance - los hermanos 

sábado, 14 de abril de 2018

Encontrei o que não queria


Ah, que vacilo é o descuido. Se a gente pudesse voltar naquela noite, o que faríamos de diferente? Talvez mudaríamos a bebida e ficaríamos em um lugar silencioso. Essa história é cheia de talvez, porque nosso encontro astral é realmente cheio de incertezas. Crescemos em lados opostos buscando as mesmas coisas. Encontro cósmico marcado. Mas agendado de uma forma estranha em um momento que "ceder" não faz parte dos nossos dicionários. Nada é perfeito. Disso todo mundo sabe. Mas quando a gente chega perto do "tranquilo", o "sabor de fruta mordida" assusta. 

Acho um desperdício você não constar nos autos do meu planner. E agora, como eu vou te encaixar? Sinceramente meu sono não se acostuma em dividir a cama. Coisa de ar, coisa de amar. Quero, queria, quis...misturo conjugações porque me faltam certezas e sobram vontades. Parece que me coube um destino de grandes encontros, com todo o amor que o avassalador permite. Mas também desde cedo me fiz a promessa de ser trânsito. Sempre em busca, correndo ou andando. Mas de certo amando em rodoviárias e aeroportos. 

Encontrei o que não queria. Uma calça 40 na promoção, um tênis 37 com aquela cor, uma agenda tribalizada que fica linda na minha mesa. Encontrei o que não queria. Uma cabeça avoada, um pavio curto, uma conversa que me faz desligar o celular. Encontrei o hipotético que só existia na minha cabeça de vento. Duas cabeças em ventania, dois corpos que amam a rua, mas que se aquietam quando se encaixam. Encontrei o que não queria, mas que hoje eu talvez queira. Como te digo isso? Vou me mudar, mas mando um cartão. Tem um cd do lado da cama também. Amor é sutileza, meu bem. Se a saudade ventar pro mesmo lado, eu acredito que a gente ainda vai se amar de novo. Talvez eu queira. 

Trilha Sonora: "Vai Saber" - Mart'nália 
"tudo que se sabe do amor, é que ele gosta muito de mudar"

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

2018 tá pra jogo


Sempre acreditei que as respostas de muitas coisas estão no céu. E 2018 já chegou com um céu e uma lua que "meu deus", que "trem" lindo! Olhei, agradeci e disse: pode entrar. Em tempo de planner, calendários, bloquinhos e promessas, deixo uma humilde listinha, com 11 "jogadores/promessas" sobre o que aprendi a viver e quero levar para esse ano de Copa e outras alegrias. 

Listinha do/e Versus

1. Abrir o coração para amar o novo;
2. Elogiar o empenho de cada alma que busca crescer;
3. Sorrir das lembranças (é muito bom ter no dia aquele momento em que o sorriso vem da memória);
4. Escrever cartas e entregá-las (remetentes e destinatários podem mudar o mundo);
5. Juntar pessoas que amo e cozinhar para elas (comida é afeto e gratidão);
6. Mandar mais "oi, sumido", não por joguinho ou segundas intenções (as vezes a gente só precisa saber que é lembrado para dar um sorriso);
7. Ensinar e aprender coisas diferentes (conhecimento liberta! sejamos livres e também soltemos amarras!);
8. Conhecer e tomar mais vinhos (Baco ajuda!);
9. Envolver e ser envolvida por abraços (os corações precisam se aproximar!);
10. Dar mais "bom dia" para desconhecidos (uma palavra muda tudo, né?);
11. Agradecer mais (coração grato é feliz! gratidão em tudo para abrir caminhos com afeto!). 

É com essa lista que eu entro em campo. Preparada para perder, ganhar ou empatar. Uma coisa é certa: jogo tem que ser jogado. Coração tranquilo, torcida vibrando, clima de decisão. Eu quero ver gol! 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Tenho sido isso


Tenho sido isso 
Desde que me entendo 
Algumas podas na árvore 
Pequenos ajustes de botões 


Tenho sido isso 
Potência 
O devir do que venho a ser 
Virtual 


Tenho sido isso 
Amada 
Incomodada 
Fonte de dualidades 


Tenho sido isso 
Pouca idade 
Alguma experiência 
Muita dúvida 


Tenho sido isso 
Coisa que pouca agrada 
Gente que muito incomoda 
Coisa minha


Trilha Sonora: "Não sei dançar" - Marina Lima
(eu não sei dançar, tão devagar...)

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Parabenizando essa cidade



É assustador viver a vida que você sempre quis ter. A corrida sempre é mais interessante antes chegada, não é a toa que o resultado é apenas um resultado. Você é responsável pelo sonho. Por aquilo que eu sempre quis viver desde 2010, quando mesmo em um bacharelado eu sonhava em ser professora. O "onde" era só um detalhe, eu sempre quis viver isso independente do lugar. Eu sempre entendi que a terra é um adereço, pois o que vale mesmo é o que a gente constrói em cima dela. Eu sempre fui um ser humano de malas feitas e poucos pré-requisitos, acho que essa é a herança de uma família meio nômade e desapegada. 

Fui em direção ao sonho, já falava disso todo dia. Pra todo mundo seria só uma consequência das tardes que a gente falou desse assunto na ágora. Eu arquitetei meu agora naquele vento, naquela hibridização de gente, naquela pessoa que eu era e hoje ainda sou, mas não igual. Sonho é uma coisa louca e exige deslocamento. Eu desconfio que se o seu sonho se limita ao lugar que você está agora, ele não é mais tão sonho assim. Sonho exige pelo menos ir na padaria. Sem movimento é complicado sonhar. 

Cheguei com medo e depois fui ficando cansada. Olha que engraçado, eu não estava dando nenhuma chance para o meu sonho se concretizar. Eu queria pessoas que não podiam estar aqui, me apegava nelas como responsáveis pela minha alegria, sociabilidade e amor. Não sabia que a gente pode construir amor em novas trincheiras, ou talvez soubesse mas não queria arriscar. Me libertei da minha própria árvore genealógica até aqui e me dei a chance de cultivar novas mudas. 

Árvores. Aqui temos muitas. Tudo arquitetado para que o calor não nos mate. Elas não necessariamente balançam, mas quando chega a primavera e a gente passa pelos parques, entende a poesia que existe no cerrado. Me identifico com esse bioma de uma forma peculiar. A gente é seco mas tem bom coração. Esconde surpresas e faz nascer água. Há poesia em viver um sonho no cerrado. Nessa falta de previsão onde tudo pode acontecer, assim como no desbravar de uma vontade que você sabe que não vai passar. 

Um pouco daqui já ficou em mim. Não sei se foi a terra, a comida, a gente, o jeito do campo que vira cidade. Não dá mais pra esconder que já me transformei um pouco no meu sonho. Sempre serei grata ao chão que me permitiu ser mais eu, ao povo que me fortaleceu e também me ensinou a ser frágil. É na cidade que a gente se mostra e se esconde. Já falei lá em cima que não sou muito de pré-requisitos, mas a partir de agora eu vou ter um: tem que entender "uai" pra ser meu amigo. 

Cada um deseja parabéns de um jeito e eu tenho tentado me entregar ao máximo. Não quero que nos falte nada, porque sonho só é realidade quando a gente se lambuza. Aqui encontrei trigo e fermento para crescer um tanto. Envelheci, amadureci e me infantilizei ao mesmo tempo. Te mudei, me mudei e cresci. Cheguei ao centro para desequilibrar. Desculpa não comer pequi, mas amor também é não aceitar tudo. Meus versos agora estão marcados por ti. Pelos amores que me oferecestes, pelas noites frias e pelo sonho que me permitiu viver.

Trilha Sonora: "ê, goiânia. não deu pra segurar a barra então eu voltei!!!"

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Há uma cidade em mim

Sempre que visito qualquer cidade, me imagino morando lá. Ainda bem que o capitalismo sempre me deixa pegar um "busão". Afinal, como é possível conhecer o mundo sem sentar na janela de um coletivo ao menos uma vez na vida? 

Já me imaginei morando em orlas famosas, em umas quebradas distantes, de frente ao parque, perto da feira, ao lado de um bar. Já imaginei tanta coisa...Que poderia materializar os churrascos de domingo em cada "cep" que já visitei. 

Articulo as férias dos meus amigos, um carnaval épico, um círio emocionante, uma caminhada na orla, um apê solitário, um porteiro que não dá bom dia. É assim. Cada lugar também tem a dor e a delícia de ser o que é. 

Me sinto realmente parte do mundo. Dessa energia que nos leva a conhecer tanta gente e trocar um "tantão" de energia com cada uma delas. Querer uma só casa é até pecado - com tanta oca, barraco, caverna, buraco e cabana que tem por aí. 

Poderia morar em qualquer lugar onde o amor fosse possível. Onde há boa conversa, aconchego e comida quente. Tenho uma mochila, sonhos e muito amor. Quer ser minha cidade? 


Trilha sonora: Cidade Nova - Banda do Mar
"Tudo em volta importa, acho normal imaginar nós dois"


domingo, 27 de agosto de 2017

Amor de Domingo


Lembrei da gente nesse fim de domingo e o mais engraçado é que nunca existiu um "nós" de verdade. Despistei os pensamentos e deixei a água morna ir levando as loucuras. Que mania o "quase" tem de alimentar na gente uma vontade de saber como seria. 

Eu tenho a consciência tranquila. Pratiquei todas as "roubações" pós-modernas e posso dizer que além de segurar uma barra, eu até forcei um pouco. Mas era interessante nossas conversas mal-humoradas, onde sempre havia uma decepção e um possível encontro que nunca daria certo.

Te vejo perdido na rede, observo, stalkeio. Realmente é difícil entender o que se arquiteta nessa mente aflita e numérica. Pessoas estranhas me encantam. Vejo um pouco de mim, me misturo na imensidão delas. Um dia esse encontro sai. Quando a gente for mais lúcido e os pensamentos mais nítidos. Andar de mãos dadas é difícil quando não esticamos as mãos. 

Lembrei de você nesse fim de domingo, quando as letras subiram e a segunda-feira não tinha saída. Lembrei de você e recordei o meu tesão por amores impossíveis e exatos. 


Trilha sonora: 

estou pensando em você / pensando em nunca mais / te esquecer
Pensando em Você - Moska 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Te amo algumas vezes


Os tempos são de listas, tabelas e esquemas. Aos poucos vamos trazendo tais recursos "linguísticos" também para o nosso sentimental e fica no ar se isso é bom ou ruim. Já disse alguém ao longo das histórias de amor e desilusão, que todo sentimento deve ser colocado na balança. B-A-L-A-N-Ç-A... seriam aquelas de feira, farmácia ou cozinha? Seriam balanças confiáveis ou aquelas que exageram no contrapeso? Hoje eu quero colocar na balança umas coisas...inclusive isso que eu sinto por você. 

Primeiro peso as lembranças. Nossa, elas são pesadas! Incrível como me apego ao que mais me traz dificuldade para carregar. Tem gente que a gente quer esquecer, mas de certa forma a pessoa está emoldurada no melhor que vivemos da vida. Às vezes te amo, mas bate a dúvida se o amor é teu ou dos nossos momentos. 

Depois coloco na balança as projeções. Acho que quase toda paixão é uma mistura do que vamos fazer agora e do que maravilhoso podemos viver depois. Sei que o "agora" é pós-moderno, é moda. Mas todo mundo imagina com quem vai fazer rodinha na esquina para contar histórias de quando éramos "tão joooovens". Às vezes te amo, mas não sei se o amor é mais segurança do que vontade de arriscar. 

Por fim, coloco os sinais na balança. "Tu vens, tu vens"... não sei se escuto ou ignoro. Não cobro muitos sinais de alheios, pois tenho uma comunicação afetada negativamente. Essa moda de não querer querendo, ou o contrário, é demais e cansativa pra mim. Sinais são armadilhas para distraídos e sonhadores. Às vezes te amo pensando que tudo isso é pra mim, mas recuo. Não há peso certo na minha balança! Na contramão das listas e das tabelas, vou tecendo textos corridos e amores simples. Não sei se esse é o teu esquema.

Trilha sonora: "Solidão, foge que eu te encontro"
Doce Solidão - Marcelo Camelo

segunda-feira, 27 de março de 2017

O nosso agora é depois


Nada disso pode ser agora. Apesar da idade, não somos maduros. Maduro é coisa de fruta. É saber quando “é a vez”, quando é doce, quando é a hora de colher. A gente pode ser, mas não por agora. Essa coisa de tempo é interessante. Ora é “deixa ser como será”, ora é “carpe diem” e ainda temos o tempo “como um dos deuses mais lindos”. Ah, o tempo! Deixa ele ser protagonista dessa história como ele sempre foi. Deixa ele brincar com a gente e nos deixar surpreender com nossas próprias atitudes. 

Não é pra ser agora porque eu quero sempre felicidade e não mágoas. Não é pra ser agora porque eu acredito que a gente tem a missão de sempre sorrir disso tudo. Não é pra ser agora porque eu quero aprender junto e não me desgastar ensinando o que não é pra hoje. 

Espero sim, talvez não por nós, mas sim por essa maturidade que um dia vai me fazer mergulhar sem medo. Ainda não sou bom marinheiro, pois o vento e a força do mar ainda me assustam. Espero pela fruta boa que vamos dividir em uma tarde amena e aconchegante. Se vamos dividi-la ou nos lambuzarmos com ela, só o amanhã dirá. 

Que fruta mordida será a nossa? Será que vai ter gosto de amor? Não precipito tal iguaria, meu grande prazer é não ter hora para tirar a mesa. E é assim que eu quero viver tudo isso: sem precisar de relógio.

Trilha: "Demorou pra ser, mas agora é" (Demorou pra Ser - Vanguart)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Recebi um nudes textão


Eu tenho evitado conclusões com o passar dos anos. A decisão é tão drástica que tenho levado isso até mesmo para ciência. Já são uns dois anos colocando “ensaiando conclusões” nos finais de artigo. Sei que isso é pouco, mas é o que o sistema ainda me permite fazer. Quem escreve, mesmo brincando, fica meio louco. Anda sempre com caneta e papel e acaba prevendo problematizações que ninguém, nem mesmo o fiscal de facebook, iria prever. 

Esse negócio de previsão é uma coisa complicada. Tudo parece muito previsível nos tempos de cólera. Certamente você já ouviu “eu sabia que isso ia acontecer”, ou melhor, “eu sabia que isso ia acontecer contigo”. É uma previsão carregada de egoísmo e que desperta várias curiosidades. Que tipo de gente caminha comigo? Que amizade é essa que me espera quebrar a cara e ainda pisa nos cacos? Ou talvez você seja o dono da bola de cristal, aquele que tem lição moralista disfarçada de conselho e ombro amigo mais caro que shopping de zona sul. 



Eu gostava de quando não escrevia. Daquele tempo em que eu não era refém do texto pra nada. Hoje ele dorme comigo, paga minhas contas e fala por mim. Certamente quando for pedir alguém em casamento mandarei uma carta. E vou torcer pra que ninguém chegue antes de mim com um carro de som e uma aliança. As pessoas não entendem quem do texto é escravo. Não é o meu tempo, é o tempo da palavra. E essa, meu caro, só vem quando quer (e quase sempre quando não foi convidada).

Infelizmente vou ter que mentir. Confessarei que tenho uma conclusão que superou o ensaio: irei continuar escrava do texto. Não existe áudio ou nudes que posso bater a delícia das palavras entrelaçadas. Um texto é a melhor previsão. Mesmo em tempo nublado, um texto é capaz de ser sol na vida de quem o recebe. Em tempos em que “textões” são rejeitados e descartáveis as previsões podem não ser das melhores, mas ainda há luz.


Que não nos faltem textos. Sejam eles travestidos de músicas, peças, diálogos, monólogos ou sorrisos. Que a magia da linguagem seja (re) conhecida mesmo em tempos de memórias cheias de aplicativos. A previsão do tempo é de liquidez, mas não de desmanche. Valorize quem tecla horas por você e com você. Valorize quem vai além do emoji. E valorize mais ainda quem tem paciência e coração para lhe mandar um texto. Porque quem escreve tira a roupa e esse sempre será o melhor dos nudes.


Trilha Sonora: "Tanto pudor...não vejo graça. Pra mim esse carinho não convém".
(Bruta como Antigamente - Validuaté

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Faça uma lista


Todo ano é essa coisa de não saber por onde começar. Não sei se me rendo às listas, aos planejamentos, às promessas ou se deixo simplesmente ser. Eu observo o mundo e naturalmente me rendo. Não por covardia ou descrença, mas eu contemplo. Me deito sobre as camas que essa "nave" oferece e deixo o céu invadir as paredes.

"Deu onda" e a mídia se apaixonou pelas listas. Preguiça? Praticidade? Ou falta de conteúdo? Pode ser tudo ou pode não ser nada disso. Mas eu decidi fazer uma listinha porque "deus me dibre" ficar de fora das tendências.

Para 2017:

1. Não se engasgar com palavras
2. Buscar o melhor das pessoas
3. Usar as roupas ao invés de ser usada por elas
4. Entrar em um projeto que me faça sorrir só de pensar
5. Fortalecer amizades
6. Colocar um "dengo" na minha rotina
7. Exercitar corpo, mente e abraço
8. Projeto "mais cinema, mais vida"
9. Beijar os olhos das pessoas e perguntar se foi bom
10. Elogiar. Afinal, o elogio pode salvar uma alma! ❤

Essa deve ser uma das listas mais "tortas" para 2017, mas é assim que eu gosto. Eu desconfio dos encaixes, pois o que encanta mesmo são as imperfeições.
Vem, 2017 que eu "estou te filmando". 

Trilha Sonora: "Só me fantasio do que venho a ser". (Quebra- Cabeça sem Luz - Oswaldo Montenegro)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Há dias



Parece que é isso mesmo. É assim que eu gosto das coisas. Ou é assim que elas me levam à gostar. Nunca sei direito o que me desperta, ainda não sei de onde vem a faísca da paixão. Eu suspeito. Suspeito que seja um riso travado que me desperte, a mania de não concluir frases, a repetição do mesmo vocativo, a maneira engraçada de negar mais um copo ou jeito de errar as piadas.



Sou excesso. De vontade, voz alta e fome. Não sei gostar só um pouquinho, pela metade ou com muitas cláusulas de contrato. Há dias que eu apenas desperto. Com um nome que transborda o travesseiro, pega um pedaço na cama e toma as vezes do despertador. Há dias que eu acordo gostando. Gostando e não é pouco.

Há dias que eu saboto. Coloco barreiras, roteirizo histórias que não vão acontecer. Eu misturo ofício, paixão e tédio. Não há um lugar em que eu não seja os três. Repito o excesso (de pensamentos). Há quem exalte o pensar. Eu pondero. O pensar age pouco, mas sabota como ninguém. Há quem balance coração e razão, me falta a balança e a vontade.

Parece que é isso mesmo. Eu, meus excessos, roteiros e faíscas. Vou sempre no difícil para que a conquista ou a decepção tenham um toque épico. Há histórias. Ah, histórias...Os que se apaixonam por elas, nunca se contentam com tão pouco. Sigo os dias apoiando-me no que me desperta, no que me sacode alma e coração. Há dias em que fixo os pensamentos, em um olhar que me traz força motriz. Há dias que penso e esses são longos.


Trilha sonora: "As paixões, meu amor, são tontas, são tantas" (...)
A Banda Mais Bonita da Cidade


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Aquela janela não é só janela


Tenho observado o prédio ao lado do meu. O acender e desligar das luzes. Parece que de alguma forma eu conheço aquelas pessoas. As que desligam tudo depois da novela, as que acordam às 5 e fazem muito barulho. Gente que ainda usa lâmpada amarela e tá pouco se lixando pra conta de energia.

Em qualquer lugar que estamos procuramos uma rotina. O que seria do ser humano se lhe fosse tirada a capacidade de repetir coisas? Eu assisto tudo se repetir. E nesse momento repito o olhar para a mesma janela que se encaixa perfeitamente ao meu ângulo de humana de bruços, olhando o horizonte à procura de sentido.

Aquela janela me lembra eu mesma. Me lembra vida longe e perto de mim. Me lembra que a luz é um dos nossos primeiros condicionamentos. Me lembra que alguma hora é preciso dormir. No outro eu me vejo. Apesar de deslocada e sem muito tesão. Em cada janelinha enquadrada, vejo que sobreviver é enfeitar prisões.

Quando falo da minha janela, vejo olhos brilhantes de alegria. "Nossa, olha a janela estranha. Ela não tem hora para desligar". A existência também é um parâmetro. Uma janela só é diferente, se todas as outras forem iguais. Há beleza nisso. Há angústia também.

Trilha sonora: "eu não gosto do bom gosto, eu não gosto do bom senso...não gosto".
Senhas - Adriana Calcanhotto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Achei o sorvete para o meu frio na barriga


Tocou a nossa música. Que ainda não é nossa porque você não sabe da gente. A letra é linda e a melodia encaixa como um abraço. Tem versão acústica, rock pauleira, seresta e bregão, depende de como o nosso amor acordar a cada dia. Tocou a nossa a música e eu fui lá na frente. Mão no peito e copo erguido, é um tipo de ritual moderno para mostrar que você se emociona com uma música. Ou melhor, que a música te lembra alguém que te faz emocionar.

Passou o nosso filme. Sim, passou. É uma mistura de sessão da tarde com cinema de guerrilha. Filme de pouco orçamento, viu. A gente vai ter que segurar as câmeras e o rebatedor. Mas no fim vai valer a pena. A gente viaja para uma mostras independentes, aproveita e diz que é lua de mel. Não teve lei de incentivo. Ou melhor, teve. O incentivo foram os beijinhos regados de pôr-do-sol que a gente viveu.

Postaram a nossa foto. Que droga, viu! A gente não pode descansar um minuto que esses "paparazzis" ficam de butuca. Só podia ser aquele seu amigo! Mas eu vou perdoar, ficou tão bonitinha. Lembra o quanto a gente é desprevenido e pouco fotogênico. Aproveita e atualiza esse Instagram, entra na onda do "se postou foto é porque tá amando".

Nada faz muito sentido desde o começo, a gente só tem unido as coisas para ser feliz. Uma hora combinamos em tudo, em outras somos dois estranhos tentando se bicar. Eu não sei de muita coisa, só sei que desde cedo entro nas aventuras para me desafiar. De plano de fundo, temos a arte que une vidas como ninguém. Se vamos pintar, desenhar, dançar, escrever ou cantar, eu não sei...Pode ser tudo, pode ser nada. Mas até agora, se arriscar tem sido bom. Faz tempo que eu troquei o conforto pelo frio na barriga. E você, ah, você...é um sorvete delicioso.


Trilha sonora: "Estranho jeito de amar" - Sandy e Junior

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Eu não sei brincar, rapaz


Essa busca por se descobrir tem lá seus sustos. A cada dia aumentam as neuras, algumas obsessões e a certeza daquilo que não quero ser, mas sem saber de fato o que seremos. Me assusto comigo porque não entendo certos passeios do meu "eu". É como se nunca preenchesse as fichas. É mudar de e-mail sem aviso prévio. É a turbulência de desinstalar o whatsapp e precisar prestar contas.

Eu quero e não quero. Eu brinco disso. Mas é brincadeira séria, valendo medalha. Quanto mais embaçado o futuro, maior o meu foco. É como eu sempre ouvi desde criança: "tu não sabe brincar". Talvez eu não saiba mesmo. Talvez eu não queira mais brincar. Não posso tentar fugir do que me deixa insone. Se a gente nega de dia, o travesseiro cobra de noite. 

Eu não sei brincar, rapaz. Eu sou daquele tipo que destrói a casinha, que rouba a bandeira e que dá carona na bicicleta. Mas olha, você tem que soltar as mãos! Eu só acredito em gente louca. 

Trilha sonora: "Vem comigo, no caminho eu explico".
Vem Comigo - Cazuza.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Para aquilo que não foi


Talvez o erro seja ser tão autobiográfico. Tão direto nos detalhes. Talvez o erro seja o excesso de criatividade. Ou talvez, não exista erro.

Talvez o equívoco seja ser tão eu. Sem nenhuma saída para não ser tão assim. Talvez olhar como sou não indique um futuro. Eu sou agora da cabeça aos pés. Camisa 10 do momento. Cristã do futuro que a Deus pertence.

Talvez seja o incômodo. Não sou da tribo, sou dos índios. Não sei me encaixar. Sou dessas pessoas difíceis, que as pessoas mentem para não machucar. Ou talvez seja o medo do desastre, eu sou um mar atordoado em plena ressaca. 

Talvez as coisas aconteçam para me ajudar a escrever. Talvez eu seja o ladrão da minha própria história. Vai que é um karma ser lego e a necessidade de "remonte" seja vital. Vivo! Vivo nessas e outras, as vezes pecando por observar demais. Aquilo que não foi, eu escrevo. Outro dia eu leio de novo e lembro daquilo que fui.

Remonta, rapaz. Agradece a história e os diálogos, mas vai em busca de novos finais.


Trilha sonora: 
"remonta o amor, remonta, remonta, remonta"
Remonta - Liniker.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Atraso


Atraso em tudo
Nas chegadas e nas idas
Em festas e despedidas
Atraso por não saber contar

O relógio não é amigo
Vivo em eternos 10 minutinhos
Atraso nas declarações
Digo eu te amo quando já passou

Atraso nos abraços
Porque demoro com os braços
Apresso com olhos
Não cruzo o olhar

Atraso no afago
Apresso na petulância
Estrago o clima
Não sei ir devagar

Atraso na rima
Por vezes desisto
A poesia não exige pressa
É por isso que nela habito

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Tenho notado você

Menino, não seja assim tão disfarçado. Não me faça voltar dez casas em cada passo. Não seja tão difícil para alguém que é míope. Gosto do teu jeito de alguém que eu nunca seria, gosto de perceber teus tiques e esperar pelo que não vai acontecer. Gosto de me surpreender com aquilo que eu não gosto. Eu não gostava de você.

Tenho notado que é possível aparar arestas, talvez porque já estou na metade da juventude. Hoje já me cansam os embates. Eu troquei a birra pela empatia. A gente vem aqui para aprender, né? Tenho notado que talvez poderia ser, mas não agora. Os espaços não rodeiam a favor. Pode ser que seja, né. E, olha: eu não gostava de você.

Vamos escutar umas músicas juntos. Talvez comer um pouco, eu bem mais que você. Vamos discutir qual área do conhecimento é mais importante, eu sempre defendo o meu diploma, viu? A gente que é de humanas, sabe né? Tem orgulho de rejeitar os cálculos. A gente pode fazer uns trabalhos juntos. Trabalhos felizes, sem estresse. Se isso acontecer, mesmo assim eu vou dizer: eu não gostava de você. 

Tenho notado o quanto mudei. Não que você tenha me mudado, mas talvez você seja a primeira pessoa que eu encontrei depois da mudança. Casa desarrumada, caixas pela sala e telefone fora do gancho. A gente se ajeitou assim mesmo, fez daquele lugar o melhor, ajeitou um encontro sem ter ao menos marcado. Eu não gostava de você. Lá atrás, lá antes daquele dia, lá onde eu nem lembro. E agora que eu notei você. Será que é de você que eu gosto? 

"ei, seu tiver coragem de dizer que eu meio gosto de você, você vai fugir a pé?"
Macaé - Clarice Falcão 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O que eu aprendi com Lovesick



Já falei outras vezes que tenho pavor de coisas que são a “minha cara”. Em alguma cadeira de psicologia lembro-me de aprender que nosso subconsciente rejeita como forma de defesa as coisas que dizem muito sobre nós. Por isso, sempre vamos “tretar” com aquele amigo que se parece muito conosco, teremos mais antipatia com nosso pai ou com nossa mãe, dependo de quem lançou mais codificações genéticas (haha, nem sei se isso é possível), aquela tia que provavelmente seremos nós no futuro, sempre é a mais odiada (coitada!). Mas ser humano é isso. É quase sempre não se responsabilizar pelas próprias sujeiras.

Toda essa volta na psicologia que parou no segundo período é para falar de uma série deliciosa que está na Netflix – LoveSick. Em uma sinopse rápida (sei que fui redundante), a série conta a história de três amigos: Evie, Luke e Dylan. Eles moram juntos em um apê com três quartos e com certa privacidade em suas vidas. A questão é que amizade é envolvimento, e muitas vezes não sabemos onde essa “envoltura” vai chegar. O que mais me encantou na história? Os diálogos. Tudo lindamente pensado para combinar com uma cenografia leve e com ares de juventude. Ah, a juventude. Confusa, estranha e mais confusa. “Você sempre gosta da pessoa errada e atrapalha todo o resto”. Essa frase você vai ouvir se assistir essa delicinha. E ela faz sentido, né? O problema não é uma paixão errada, a questão é atrapalhar todo o fluxo.

Esqueci uma coisa importante: o “sick”. Mas simplificando, mais uma vez, o “sick” existe porque o Dylan descobre que tem clamídia e resolve avisar todas as parceiras da sua vida para que elas possam se prevenir ou tratar o problema. Agora vem a parte mais importante: o que aprender com esse trio? Quantas vezes somos Evie na vida... Abrindo mão de sonhos e desejos para ser legal, compreensiva e amiga de todos. É meio triste ser uma pessoa que nunca se indispõe. Não que você vá sair por aí destratando as pessoas com palavras que machucam, mas é necessário SER. Ser alguém que não apenas figura, mas que é personagem principal da sua vida.

Luke é o cara que 80% da população “ficaria” na balada. Tão lindo que tem pavor de conversar. Como ele mesmo diz “se eu conversar, ela vai me conhecer”. Que triste ser alguém que evita conversas, que nunca quer ser a pessoa sentada no divã. A gente se esconde com medo de um passado, de uma foto ou de apostas que nem mesmo nós sabemos porque prometemos. Luke pode nos ensinar que o passado deve ser resolvido, ou então será uma alma penada que desfigura nosso presente e o tão esperado futuro. Por fim temos Dylan. Ah, o Dylan. Erra simplesmente porque ama demais... Ama demais os outros e é aí que mora o perigo. Baseia sua existência em existir na vida de alguém. É preciso entender nossa existência na solidão para poder ser feliz junto. A solidão também é um par necessário.

Lovesick veio em uma ótima hora na minha vidinha. Mais uma vez eu me perguntei “o que fica quando tudo passa?”. Talvez a resposta seja: o que fica é um sofá e uma vodca na casa de quem nos ama de verdade. Às vezes a gente precisa da ficção para acreditar na sabedoria popular. E Lovesick reafirma o banal mais real: na dúvida, fale, ninguém sabe o que calado quer! 

Trilha sonora: "Se sim disser, se a mim quiser
Já viu, já é, já deu
E eu vou torcer pra ser você e eu"

Casa Pronta - Mallu Magalhães


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Beijo baby




Teus lábios
.
.
.

Boca
Começo de digestão
De longe excita
Quem brinca de desprevenido

Teus lábios
Enigma
Longe do decifrar
Não sei se prefiro os olhos

Um dia?
Pouco
Nem de longe contempla
A grandeza do unir de bocas

Não são só bocas
São coisas amontoadas
É uma fricção de dois
Ondas rachadas sem o mesmo tamanho

Ensaio os versos de novo
Logo no dia que não celebramos
Tua boca vive longe
Mas no pensamento ofega

"tua carne pra mim paraíso"
Como Qualquer Chiclete - Nathália Ferro