terça-feira, 28 de novembro de 2017

Tenho sido isso


Tenho sido isso 
Desde que me entendo 
Algumas podas na árvore 
Pequenos ajustes de botões 


Tenho sido isso 
Potência 
O devir do que venho a ser 
Virtual 


Tenho sido isso 
Amada 
Incomodada 
Fonte de dualidades 


Tenho sido isso 
Pouca idade 
Alguma experiência 
Muita dúvida 


Tenho sido isso 
Coisa que pouca agrada 
Gente que muito incomoda 
Coisa minha


Trilha Sonora: "Não sei dançar" - Marina Lima
(eu não sei dançar, tão devagar...)

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Parabenizando essa cidade



É assustador viver a vida que você sempre quis ter. A corrida sempre é mais interessante antes chegada, não é a toa que o resultado é apenas um resultado. Você é responsável pelo sonho. Por aquilo que eu sempre quis viver desde 2010, quando mesmo em um bacharelado eu sonhava em ser professora. O "onde" era só um detalhe, eu sempre quis viver isso independente do lugar. Eu sempre entendi que a terra é um adereço, pois o que vale mesmo é o que a gente constrói em cima dela. Eu sempre fui um ser humano de malas feitas e poucos pré-requisitos, acho que essa é a herança de uma família meio nômade e desapegada. 

Fui em direção ao sonho, já falava disso todo dia. Pra todo mundo seria só uma consequência das tardes que a gente falou desse assunto na ágora. Eu arquitetei meu agora naquele vento, naquela hibridização de gente, naquela pessoa que eu era e hoje ainda sou, mas não igual. Sonho é uma coisa louca e exige deslocamento. Eu desconfio que se o seu sonho se limita ao lugar que você está agora, ele não é mais tão sonho assim. Sonho exige pelo menos ir na padaria. Sem movimento é complicado sonhar. 

Cheguei com medo e depois fui ficando cansada. Olha que engraçado, eu não tava dando nenhuma chance para o meu sonho se concretizar. Eu queria pessoas que não podiam estar aqui, me apegava nelas como responsáveis pela minha alegria, sociabilidade e amor. Não sabia que a gente pode construir amor em novas trincheiras, ou talvez soubesse mas não queria arriscar. Me libertei da minha própria árvore genealógica até aqui e me dei a chance de cultivar novas mudas. 

Árvores. Aqui temos muitas. Tudo arquitetado para que o calor não nos mate. Elas não necessariamente balançam, mas quando chega a primavera e a gente passa pelos parques, entende a poesia que existe no cerrado. Me identifico com esse bioma de uma forma peculiar. A gente é seco mas tem bom coração. Esconde surpresas e faz nascer água. Há poesia em viver um sonho no cerrado. Nessa falta de previsão onde tudo pode acontecer, assim como no desbravar de uma vontade que você sabe que não vai passar. 

Um pouco daqui já ficou em mim. Não sei se foi a terra, a comida, a gente, o jeito do campo que vira cidade. Não dá mais pra esconder que já me transformei um pouco no meu sonho. Sempre serei grata ao chão que me permitiu ser mais eu, ao povo que me fortaleceu e também me ensinou a ser frágil. É na cidade que a gente se mostra e se esconde. Já falei lá em cima que não sou muito de pré-requisitos, mas a partir de agora eu vou ter um: tem que entender "uai" pra ser meu amigo. 

Cada um deseja parabéns de um jeito e eu tenho tentado me entregar ao máximo. Não quero que nos falte nada, porque sonho só é realidade quando a gente se lambuza. Aqui encontrei trigo e fermento para crescer um tanto. Envelheci, amadureci e me infantilizei ao mesmo tempo. Te mudei, me mudei e cresci. Cheguei ao centro para desequilibrar. Desculpa não comer pequi, mas amor também é não aceitar tudo. Meus versos agora estão marcados por ti. Pelos amores que me ofereceste, pelas noites frias e pelo sonho que me permitiu viver.

Trilha Sonora: "ê, goiânia. não deu pra segurar a barra então eu voltei!!!"

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Há uma cidade em mim

Sempre que visito qualquer cidade, me imagino morando lá. Ainda bem que o capitalismo sempre me deixa pegar um "busão". Afinal, como é possível conhecer o mundo sem sentar na janela de um coletivo ao menos uma vez na vida? 

Já me imaginei morando em orlas famosas, em umas quebradas distantes, de frente ao parque, perto da feira, ao lado de um bar. Já imaginei tanta coisa...Que poderia materializar os churrascos de domingo em cada "cep" que já visitei. 

Articulo as férias dos meus amigos, um carnaval épico, um círio emocionante, uma caminhada na orla, um apê solitário, um porteiro que não dá bom dia. É assim. Cada lugar também tem a dor e a delícia de ser o que é. 

Me sinto realmente parte do mundo. Dessa energia que nos leva a conhecer tanta gente e trocar um "tantão" de energia com cada uma delas. Querer uma só casa é até pecado - com tanta oca, barraco, caverna, buraco e cabana que tem por aí. 

Poderia morar em qualquer lugar onde o amor fosse possível. Onde há boa conversa, aconchego e comida quente. Tenho uma mochila, sonhos e muito amor. Quer ser minha cidade? 


Trilha sonora: Cidade Nova - Banda do Mar
"Tudo em volta importa, acho normal imaginar nós dois"


domingo, 27 de agosto de 2017

Amor de Domingo


Lembrei da gente nesse fim de domingo e o mais engraçado é que nunca existiu um "nós" de verdade. Despistei os pensamentos e deixei a água morna ir levando as loucuras. Que mania o "quase" tem de alimentar na gente uma vontade de saber como seria. 

Eu tenho a consciência tranquila. Pratiquei todas as "roubações" pós-modernas e posso dizer que além de segurar uma barra, eu até forcei um pouco. Mas era interessante nossas conversas mal-humoradas, onde sempre havia uma decepção e um possível encontro que nunca daria certo.

Te vejo perdido na rede, observo, stalkeio. Realmente é difícil entender o que se arquiteta nessa mente aflita e numérica. Pessoas estranhas me encantam. Vejo um pouco de mim, me misturo na imensidão delas. Um dia esse encontro sai. Quando a gente for mais lúcido e os pensamentos mais nítidos. Andar de mãos dadas é difícil quando não esticamos as mãos. 

Lembrei de você nesse fim de domingo, quando as letras subiram e a segunda-feira não tinha saída. Lembrei de você e recordei o meu tesão por amores impossíveis e exatos. 


Trilha sonora: 

estou pensando em você / pensando em nunca mais / te esquecer
Pensando em Você - Moska 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Te amo algumas vezes


Os tempos são de listas, tabelas e esquemas. Aos poucos vamos trazendo tais recursos "linguísticos" também para o nosso sentimental e fica no ar se isso é bom ou ruim. Já disse alguém ao longo das histórias de amor e desilusão, que todo sentimento deve ser colocado na balança. B-A-L-A-N-Ç-A... seriam aquelas de feira, farmácia ou cozinha? Seriam balanças confiáveis ou aquelas que exageram no contrapeso? Hoje eu quero colocar na balança umas coisas...inclusive isso que eu sinto por você. 

Primeiro peso as lembranças. Nossa, elas são pesadas! Incrível como me apego ao que mais me traz dificuldade para carregar. Tem gente que a gente quer esquecer, mas de certa forma a pessoa está emoldurada no melhor que vivemos da vida. Às vezes te amo, mas bate a dúvida se o amor é teu ou dos nossos momentos. 

Depois coloco na balança as projeções. Acho que quase toda paixão é uma mistura do que vamos fazer agora e do que maravilhoso podemos viver depois. Sei que o "agora" é pós-moderno, é moda. Mas todo mundo imagina com quem vai fazer rodinha na esquina para contar histórias de quando éramos "tão joooovens". Às vezes te amo, mas não sei se o amor é mais segurança do que vontade de arriscar. 

Por fim, coloco os sinais na balança. "Tu vens, tu vens"... não sei se escuto ou ignoro. Não cobro muitos sinais de alheios, pois tenho uma comunicação afetada negativamente. Essa moda de não querer querendo, ou o contrário, é demais e cansativa pra mim. Sinais são armadilhas para distraídos e sonhadores. Às vezes te amo pensando que tudo isso é pra mim, mas recuo. Não há peso certo na minha balança! Na contramão das listas e das tabelas, vou tecendo textos corridos e amores simples. Não sei se esse é o teu esquema.

Trilha sonora: "Solidão, foge que eu te encontro"
Doce Solidão - Marcelo Camelo

segunda-feira, 27 de março de 2017

O nosso agora é depois


Nada disso pode ser agora. Apesar da idade, não somos maduros. Maduro é coisa de fruta. É saber quando “é a vez”, quando é doce, quando é a hora de colher. A gente pode ser, mas não por agora. Essa coisa de tempo é interessante. Ora é “deixa ser como será”, ora é “carpe diem” e ainda temos o tempo “como um dos deuses mais lindos”. Ah, o tempo! Deixa ele ser protagonista dessa história como ele sempre foi. Deixa ele brincar com a gente e nos deixar surpreender com nossas próprias atitudes. 

Não é pra ser agora porque eu quero sempre felicidade e não mágoas. Não é pra ser agora porque eu acredito que a gente tem a missão de sempre sorrir disso tudo. Não é pra ser agora porque eu quero aprender junto e não me desgastar ensinando o que não é pra hoje. 

Espero sim, talvez não por nós, mas sim por essa maturidade que um dia vai me fazer mergulhar sem medo. Ainda não sou bom marinheiro, pois o vento e a força do mar ainda me assustam. Espero pela fruta boa que vamos dividir em uma tarde amena e aconchegante. Se vamos dividi-la ou nos lambuzarmos com ela, só o amanhã dirá. 

Que fruta mordida será a nossa? Será que vai ter gosto de amor? Não precipito tal iguaria, meu grande prazer é não ter hora para tirar a mesa. E é assim que eu quero viver tudo isso: sem precisar de relógio.

Trilha: "Demorou pra ser, mas agora é" (Demorou pra Ser - Vanguart)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Recebi um nudes textão


Eu tenho evitado conclusões com o passar dos anos. A decisão é tão drástica que tenho levado isso até mesmo para ciência. Já são uns dois anos colocando “ensaiando conclusões” nos finais de artigo. Sei que isso é pouco, mas é o que o sistema ainda me permite fazer. Quem escreve, mesmo brincando, fica meio louco. Anda sempre com caneta e papel e acaba prevendo problematizações que ninguém, nem mesmo o fiscal de facebook, iria prever. 

Esse negócio de previsão é uma coisa complicada. Tudo parece muito previsível nos tempos de cólera. Certamente você já ouviu “eu sabia que isso ia acontecer”, ou melhor, “eu sabia que isso ia acontecer contigo”. É uma previsão carregada de egoísmo e que desperta várias curiosidades. Que tipo de gente caminha comigo? Que amizade é essa que me espera quebrar a cara e ainda pisa nos cacos? Ou talvez você seja o dono da bola de cristal, aquele que tem lição moralista disfarçada de conselho e ombro amigo mais caro que shopping de zona sul. 



Eu gostava de quando não escrevia. Daquele tempo em que eu não era refém do texto pra nada. Hoje ele dorme comigo, paga minhas contas e fala por mim. Certamente quando for pedir alguém em casamento mandarei uma carta. E vou torcer pra que ninguém chegue antes de mim com um carro de som e uma aliança. As pessoas não entendem quem do texto é escravo. Não é o meu tempo, é o tempo da palavra. E essa, meu caro, só vem quando quer (e quase sempre quando não foi convidada).

Infelizmente vou ter que mentir. Confessarei que tenho uma conclusão que superou o ensaio: irei continuar escrava do texto. Não existe áudio ou nudes que posso bater a delícia das palavras entrelaçadas. Um texto é a melhor previsão. Mesmo em tempo nublado, um texto é capaz de ser sol na vida de quem o recebe. Em tempos em que “textões” são rejeitados e descartáveis as previsões podem não ser das melhores, mas ainda há luz.


Que não nos faltem textos. Sejam eles travestidos de músicas, peças, diálogos, monólogos ou sorrisos. Que a magia da linguagem seja (re) conhecida mesmo em tempos de memórias cheias de aplicativos. A previsão do tempo é de liquidez, mas não de desmanche. Valorize quem tecla horas por você e com você. Valorize quem vai além do emoji. E valorize mais ainda quem tem paciência e coração para lhe mandar um texto. Porque quem escreve tira a roupa e esse sempre será o melhor dos nudes.


Trilha Sonora: "Tanto pudor...não vejo graça. Pra mim esse carinho não convém".
(Bruta como Antigamente - Validuaté