segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um copo de desejo, por favor.

E observando as coisas, ela vê o mundo como um copo. 
Hoje cheio, outrora vazio. Matando a sua sede ou deixando a marca de batom. De todas as coisas do mundo, sede é o que ela mais tem. Sede do que não é seu (ainda), sede do que não viu. Escutando bossa nova, letra de Jobim e voz da "Da Mata", estes versos soaram como luvas: "aquela velha história de um desejo". Desejo de pele, de alma, de corpos pulsantes. Desejo pra ela é tão importante, que não aceita os que acabam sucumbindo-os. 

Chegando essa época do ano, tão cheia de apelos e modismos, os desejos afloram. Tudo em dobro. Salário, contas, compras pra fazer. Queria muitos dezembros no decorrer do ano. Pessoas fazendo pedidos, ajudando pessoas, organizando confraternizações. Abraços mais apertados, reconciliações (...) Meus desejos só aumentam, posso dividi-los em vários copos. Qual a medida do sonho que te embriaga? Uma dose, uma garrafa, um gole? Isso é por sua conta.

Não impeça quem se entrega de entregar-se. Não proíba copos virados. O fluido tem valor sentimental. A cada desejo uma delícia, um frio na barriga, uma noite às claras. Que o desejo encontre um copo, um vira-vira, VIROU!

Trilha sonora: "Aquela velha história de um desejo
que todas canções têm pra contar
e veio aquele beijo". (Fotografia - Tom Jobim)


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quase coito, sem sex appeal

O coito virou sujo
Não parece amor
Em cima de orgulhos
E não um do outro

O coito se envergonhou
Depois de conhecer a bagunça
O quarto desejado
Virou lugar para conversar

O coito se vestiu
Hoje parece incesto
Coisa de irmão
De médico virou casinha

O coito virou sonho
Daqueles de se olhar longe
Realiza-se na cama
Depois que fecho os olhos


Trilha sonora: "de te arrancar suspiros" (...)
Palpite - Calcanhotto

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

De 92 para 2009 (Parabéns, amico)

Odeio o modo como fala de gays
Quando fala de ética e desvio de conduta
Odeio suas perguntas incisivas
Cheias de auto verdades e certezas
Odeio quando fala dos meus amigos
E os compara com os seus
Odeio quando me deixa sem graça
Me xinga e ainda me explica metáfora
Odeio seus trejeitos “Félix”
Que ainda que negados estão implícitos em suas frescuras [bicha má]
Odeio quando faço a coisa certa e tu colocas um defeito
Odeio quando bebe do meu suco e monopoliza a conta
E odeio ter que copiar um texto de um filme pra terminar o meu:
“Mas odeio principalmente não conseguir te odiar”.


Trilha sonora: Dar-te-ei - Marcelo Jeneci
(a única mentira é que não te darei disco)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um mundo depois da ponte

Essa história de viver em mundos diferentes sempre rende uma coisinha. As produções cinematográficas adoram esse tipo de pauta. "Ela fazia medicina e eu ainda nas aulinhas de inglês". É, parece que não é só no cinema. Que tal passear em outro mundo? Seria uma aventura andar por aí com alguém que gosta de química, não gosta de futebol e odeia acordar tarde. Que mundo estranho! Mas ele existe.  

Ou então alguém muito exotérico, que faz das fases da lua um norte a ser seguido e pauta suas ações pela posição dos astros?! Mundo cômico e cósmico, mas ele existe! Uma cabecinha sedenta por séries, quadrinhos e games?! Confesso que acho esse povo chato, mas admiro quem em um mundo tão complicado ainda mergulha em outros na busca de entretenimento.

Essa história de mundos é um pouco psicodélica. Porque até onde estudamos, habitamos o mesmo planeta: a Terra. A verdade é que só um limite de espaço não define um mundo. Posso ser mais japonesa em Chicago ou americana em São Luís. Roqueira no cacuriá ou caxeira na orquestra. Tudo é uma questão de ser. Ser triste, fechado. Ser feliz, aberto - ou menos fechado. A balança é por sua conta. 

Pense em passar por uma ponte. Antes dela, o outro lado parecia impossível. Um homem sem medo do lado de lá, arriscou. Hoje milhares de pessoas passam pela ponte. Por rotina, vontade ou pela necessidade do outro lado. Dois mundos, por vezes assustadores. Esquisitos, deselegantes e de todo modo felizes. Procure o amor antes de qualquer linguagem, longe de "eu te amos". Que tal: essa é minha música favorita, vamos para o outro lado? Bem-vindo ao meu mundo. 

Trilha sonora: "Pra te espiar, eu dou a volta no seu mundo" 
(Selva Branca - Carlinhos Brown)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Entre no banheiro



Adoro suítes. Quanto mais perto dele estiver, melhor pra mim. Tenho a necessidade de ficar desarmada ao menos uma vez. Ter meu reflexo refletido, deixar a lágrima rolar...Teu branco é mais paz do que uma pomba. Para minha solidão, o quarto já não basta. Tantas roupas me vestem, mas não vejo a hora de despi-las. Quando abro a tua porta sinto que o carnaval passou. Adeus fantasia, música e vendaval de paixões. Obrigada, banheiro! Por ser minha eterna quarta-feira de cinzas. 

Trilha sonora: "E lembrar sorrindo que o banheiro é a igreja de todos os bêbados" (Eu ando tão down - Cazuza)

domingo, 22 de setembro de 2013

Embebida em comédias nada românticas

Definitivamente os finais de semana não foram feitos para você ficar em casa. Basta olhar essa programação "mela cueca" que você é obrigado a assistir pela simples punição de não ter o que fazer fora de casa. Falei para um amigo que ia curtir esse limo com qualidade, e depois de algumas comédias sem sal (ou românticas) me afundei em algumas maravilhas de Woody. Afinal, ninguém é obrigado a se torturar por dois dias só com comédias românticas (ou sem sal). 

Primeiro me deparei com Vicky, cheia de planos e querendo sempre aquilo que não tem. Em um jogo de amor e liberdade, essas variáveis parecem não dar certo juntas. Entre amar o oposto e o espelho, escolhemos o oposto pela excitação de algo novo a cada dia, mas o espelho fica a nos perseguir, afinal é quase impossível abandonar o reflexo. Sempre esse desejo de ser professor, esse fetiche de achar uma aluna apaixonada e capacha. Bela forma de educar. Nessa hierarquia da conquista, ninguém quer ficar por baixo. Basta ver como nosso fundo arcaico se agita para engabelar alguém, no clichê do Fábio Jr - caça e caçador (somos patéticos). 

Depois me deparei com Amanda, uma dessas garotas problemáticas que pode ser você. Aí tem o Falk também, um desses garotos certinhos e comprometidos com o futuro que também, pasme, pode ser você! Imagina que merda não seria esses dois juntos? Foi eterno! Um eterno de alguns meses, mas quem se importa? Eles ao menos foram "um" por alguns dias. O certo é que a cada dia tentamos sucumbir nossa própria natureza, inventando necessidades e fingindo fraquezas. "Daqui pra frente, tudo vai ser diferente", viva o rei!  A gente vive dizendo isso a cada novo ciclo.

Amanda e Falk mexem com nosso psicológico, que já não é lá essas coisas. E até agora estou pensando com quem eu me pareço mais. Serei eu uma escrota em pele de cordeiro? Ou um pseudo moralista que se acha melhor que o mundo por conseguir controlar suas vontades escrotas? Não respondam! Eu não quero saber. O que eu mais odeio nessas comédias sem sal é essa aura "pode ser você". Como eles fazem isso bem. Ou será que nós estamos tão vulneráveis assim?

Como um autêntico representante da espécie humana não desejo que esses filmes parem de ser produzidos ou que sejam extintos da Terra. São as terapias mais baratas que eu conheço e estão à um "click" de distância. Pra ser sincero, eu não quero mais passar os finais de semana em casa, pelo menos não na condição onde essas pérolas da sétima arte fazem sentido. Sim, meu fds foi patético, mas necessário.  

Trilha Sonora: 

Diana Krall - It coul happen to you (Não conte estrelas, ou você pode tropeçar)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Lira da quase egressa

Agora um novo ciclo se inicia. Últimas cadeiras, artigos, seminários e preocupações. Parece que foi ontem que eu era uma caloura perdida que passeava por vários cursos com o desejo de me descobrir. Sempre fui ansiosa e apaixonada por discussões. Orgulha-me ser do contra e pentelhar os cheios de confiança.

Hoje sinto que alguns passos me separam do tão sonhado "canudo". É como nadar e sentir-se cada vez mais perto do pódio. Sem dúvida, estou no meu melhor ano. Desempenho trabalhos que me dão tesão, tenho pessoas fodas ao meu lado e descobri que tudo é possível quando a gente tem paixão.

São caminhos e pessoas, que nesses três anos, estão me moldando para ser melhor, e eu, modestamente, acho que estou conseguindo. Descobri que certos momentos só valem a pena com intensidade, e a graduação é um desses momentos. Chegar esgotado, viajar com os amigos, fazer trabalho na véspera. Essa é a pitada excitante disso tudo.


Quero tudo isso pra sempre e sou uma dessas crentes e apaixonadas pela academia. Posso até ganhar pouco, mas terei o prazer de pensar e descobrir constantemente. Cada um que está comigo e compartilhou um dedo de prosa, um ponche, uma tarde na ágora, tem um lugar nessa minha mochila de lembranças. Prometo pagar com amor, em suaves prestações.


Trilha sonora: "Por isso eu quero maaaaaais, não dá pra ser depois" [...]
Já é - Lulu Santos