domingo, 21 de abril de 2013

Não tô pra espelho

Para qualquer afastamento, dai graças! Não só os cristãos querem ser livres do mal. Seja sincero consigo mesmo, saiba que o que é seu de verdade está ao seu redor. Seu celular, seu travesseiro, sua família, sua bolsa. Não chore migalhas. Não desperdice palavras doces com quem só tem sal para lhe oferecer. Saiba aceitar a distância. Não tente encurtar o que já está mais que esticado. Mola desfeita não vira mola de novo, nem a pau. 

Aceite fechar a porta, esperar menos e seguir a vida. Observe que enquanto você fica remoendo, o mundo já tem uma nova rotina. Aprenda a desbravar novas conversas, sorrisos e segredos. "Você faz falta" está longe de ser uma sms embriagada ou uma sexta solitária. Não convenha para quem não convém, a vida ensina. Deixe que o tempo faça sua  parte.

Ex amor, ex amigo, ex sorriso, ex afeição. Nunca gostei de pouco, esmola de bombom ou 5 centavos. Olhando pro seu novo horizonte, me deu vontade de refazer o meu. Tem gente que só gosta de quem olha na mesma direção, por isso é tão difícil pra mim, que nunca gostei de mesmice. Os olhares precisam de intersecção, mas se enxergam as mesmas coisas, perdem toda a magia da pluralidade. Eu, pelo menos, nunca me peguei apaixonada pelo espelho.


Trilha Sonora: "Teatro dos Vampiros" - Legião Urbana
"Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto"

sexta-feira, 29 de março de 2013

Cazuza, me dê motivos

Um dia você para e pensa o porquê de ser fã de alguém. Alguém que não conheceu e que nem tão pouco estava viva quando sua obra estava a todo vapor. Hoje existe uma crise de ídolos, pessoas que você admira ou como queiram classificar. Existe uma legião chata que inventa histórias, põe defeitos e quer de toda forma dizer que é errado ser fã. Sou fã de Cazuza, porque apesar de tudo, ele me deu motivos (...) 

Contar casos e besteiras sempre foi o meu forte, acho um porri os fãs de conversa engajada toda hora. Parece que todo dia querem escrever um artigo para publicar. Com certeza você já inventou um codinome para falar de alguém, um nomezinho fofo, um enigma para não declarar sua paixão pra todo mundo. Quem nunca fez um show na pia do banheiro, com promessas malucas depois de uma bebedeira? Declarou guerra aos sacanas e prometeu nunca mais sofrer por eles? Quem nunca culpou a burguesia pela falta de poesia nessa vida louca?

Um dia a ficha caiu e vi que o trem pras estrelas só vai partir se for a dois. É difícil entender que a boa vida não é a boemia que você imaginava. Andar por aí fazendo check-out e já pensando nos próximos hotéis, em qual dia terei a mesma liberdade sem ninguém em casa me esperando. E o mais incrível é que diante de tudo isso: solidão, que nada. Eu desisti de procurar coisas e cores pra te prender, hoje prefiro o sonho bom. Depois daquele poema, amor da minha vida, vi que tudo é questão de obedecer. E agora? Eu não sou obediente!

Não desejo mal nenhum à você e aos brotinhos que fazem você andar por aí muito bem acompanhado. E sabe, aquela versão de as rosas não falam um dia vai falar por mim. Me leve, na sua orelha fria perturbando teus pensamentos com segredos só nossos. Agora acabou, motivos temos de sobra. Silêncio no estúdio!

Trilha sonora: baixa a discografia completa!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pê de poesia

Teu dia, poesia
O que comemorar?
Te guardo na gaveta
Já não te levo pra passear

Quantos embalos, consolos
Abraços e explicações
Grande amiga, poesia
Consegue me tirar do chão

Feliz quem é poeta
Hoje já nem sei
Quem brinca com a palavra
Quem dela é freguês

Quem dera a vida ser como tu
Cheia de beleza, longe de tormentos
Parabéns, "puta velha"
Que tu sejas pra sempre deleite

Trilha sonora: "Poema Quebrado"- Oswaldo Montenegro

domingo, 3 de março de 2013

A vida e os gabaritos

Do fundo do meu coração desejo que ao menos uma vez na vida sejam felizes com suas escolhas. Que não se arrependam de escolher sorvete de chocolate, mesmo que o morango do amigo esteja gostoso. Que não se arrependam de escolher carne, mesmo olhando o frango ali do lado. Que não se arrependam de comer salada só para entrar na calça 38. O arrependimento sempre quer nos abater, ofuscar nosso brilho. Escolhas exigem coragem, renúncias, mas são elas que nos fazem humanos. Desejo então que sejam humanos, escolham. 

Escolha ser feliz, por mais "Augusto Cury" que isso possa parecer. Escolha ser protagonista dessa tal felicidade, fazer feliz é bom, mas imagina quão bom ser também é. Quase um paradoxo. Mentiras são infelizes por natureza, mentir para os outros, mentir para si. Certamente nos renderá arrependimentos, logo, tristeza. Silogismo básico. Seja feliz com o que tem, com o que é seu, com o que quer ser seu. Escolha dentro das opções e por mais difícil que seja, "N.D.A" (nenhuma das alternativas) pode ser a resposta. Se for assim, busque, no mundo ainda existem "A's e B's" por aí esperando para serem marcados.

Trilha sonora: "Outro sim, outra trip, outro tchau"
Às vezes - Tulipa Ruiz

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Minha nada mole bolha

Quem olha uma situação de fora entende melhor? Não sei, mas talvez enxergue o que o (s) envolvido (s) não queiram. É aquela coisa da invasão da minha bolha, pra quem fica dentro da mesma o local parece confortável e seguro, mas quem observa de fora olha toda a fragilidade e bagunça que existe ali dentro.

Não serei a primeira a falar o quanto opiniões são difíceis de serem aceitas, algumas queremos anular, outras sequer consideramos, outras são gostosas de ouvir, mas nada que possa comprometer nosso castelo na bolha é aceito com louvor.

Do nada me veio à mente uma música bem "mimimi", ela nem estava nos meus planos, mas, "sensível demais, eu sou um alguém que chora" (...) Acho que até entendo o porquê dela, foi em uma conversa com um sensível masoquista que me veio a temática desse post.

Será que minha bolha é melhor entendida pelos olhares curiosos dos meus vizinhos? Nem sei, mas se fosse descrever minha bolha diria que ela é turva, um tanto misteriosa, pra dá mais emoção e afastar essas opiniões que tanto assustam.

Acho que a frase mais engraçada que existe é: "Eu não me importo com a opinião dos outros". Umas três perguntas derrubam essa afirmação, e olha que eu era uma seguidora fiel dessa filosofia. Hoje, um pouco menos radical, prefiro: "Eu não me importo com a opinião de certos outros". Pouca coisa mudou, no mais espero que entendam o "de certos".

Mesmo com toda a tecnologia, um binóculo não é o mesmo que olhar de perto. O zoom sempre diminui a qualidade da imagem. E a própria fotografia nunca vai demonstrar por completo a sensibilidade do autor. Olhar de longe sempre é cômodo, é aquela coisa "easy" de camarote. Narrar o jogo, fazer o gol, sempre é mais fácil quando não se está em campo.

Sempre teremos opinião sobre a bolha alheia, como melhorá-la, torná-la mais dinâmica e até mesmo feliz. O morador da bolha, de principal passa a coadjuvante, pela lei deve ficar refém das opiniões sobre a sua bolha e ainda por cima mudá-la a qualquer momento que for requisitado.

Cruel, eu acho. A natureza de uma bolha é tão livre para ser controlada. Deixemos as bolhas bailarem, se encontrarem, colorirem essa imensidão que é tão cinza. Cada bolha carrega tantas expectativas e uma beleza sem igual. Pequenas, grandes, efêmeras ou duradouras, mas sempre bolhas.

Lembra de quando você soltava bolhas? Pois é, considere que o seu sopro agora são opiniões, sopre-as com jeitinho, mas intensamente, para que elas cresçam e voem por aí. Sem opiniões as bolhas não existem, mas quando sopradas sem freio acabamos por ficar apenas com um gosto de sabão ruim na boca e com a vida vazia de bolhas.

Trilha Sonora: "Açúcar ou Adoçante" - Cícero
"Entra pra ver, mas tira o sapato pra entrar"

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

São só lábios

Tem um segredo nos lábios
São só lábios
Mas carregam o peso do mundo
Que coisa, não?!

Seriam os labirintos de Ana?
Passam perto
Mas ainda não inspiraram um autor
Pelo menos até agora

Estão mais ousados com o passar do tempo
Passeando por lugares e sentindo gostos
Encostam no copo, beijam a maça
Lábios secretos, reservados

Os lábios conhecem um pouco do mundo
Ajudam o sorriso, fazem beijar
Vestem vermelho
Quando saem pra matar.

Trilha sonora: "Pois, não pense que vai ficar assim
Meu batom vermelho vai me enfeitar" (Retrovisor - Céu)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Quando cinco opções não valem uma

Às vezes nos deparamos com uma infinidade de opções e histórias que poderíamos viver de acordo com escolhas que fazemos ao longo da vida. Irei citar cinco opções, não que as tenha, mas foi um número que me veio à cabeça e me parece bom.

Opção 1: Viver aceitando coisas que abomino, aceitar na vida o avesso. Achar graça do sem graça e aceitar ser o alvo de uma metralhadora ambulante. Que não escolhe ninguém e fica por conveniência. Opção cruel, que vidinha (...) Mas é uma opção.

Opção 2: Quem nunca se apaixonou pelo esteriótipo? Aquilo que colocamos há anos na cabeça e parece tão bonito que queremos colocar na estante. Só que olhar todo dia na estante acaba se tornando rotina. Enfeitou a vida, mas hoje não diz nada. Opção bibelô, prefiro ficar só olhando (...)

Opção 3: Alguém tem que morar longe ! O mais doce acaso, vontade de ficar lembrando. Difícil achar alguém que compartilhe devaneios. O álcool talvez apagou algumas coisas, mas somou. Ali do lado, bem longe. Opção "memory card", é bom guardar.

Opção 4: Descobri o olhar. Penetrante, sagaz, desejoso. É bom lembrar. Alguém que você nem imagina ao lado, tão grande é a liberdade. Aquele que já viveu tanto mesmo tendo a sua idade, e que te assusta ser apenas um iniciante. Opção 4, posso até te acompanhar, não agora.

Opção 5: É quase um círculo vicioso. Montanha russa. Indo e vindo e chegando ao mesmo ponto. Irmãozinhos? Até quando? Parece que estamos pagando o preço. Não depende só de mim, triste fim. Palpável, perto, longe. É uma opção contraditória. Opção 5, a última, cristã. Os últimos serão os primeiros.

Trilha sonora: "Se houve ou se não houve
Alguma coisa entre eles dois
Ninguém soube até hoje explicar" - Estrela do mar/Flávia Bittencourt.