domingo, 9 de fevereiro de 2014

Coisa de quase segunda



Invenções humanas
Pequenos consolos
Risca o fósforo
Faz o fogo

Luz de velas
Desajeitada
Tantas lâmpadas
Não sou mais star

Tudo novo
Asfaltado
Nó na garganta
Fiquei sem ar

Meu futuro
Minha vida
Grupos?
De uma só pessoa

Passear no parque?
10 reais
Fui roubado
Voltei pra casa

Campainha
Guarita ou porta?
Entrei
Mais do mesmo.

Trilha sonora: "A Lista" - Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sal de saudade

Podia ser saudade, mas com "L". Trocadilho escroto, mas é verdade, tem gosto de sal. Ter esse gostinho aguça dúvidas. Salgado é meu paladar preferido, que me enche com o mesmo prazer dos que apostam em um bom doce para cura dos problemas. Saudaaaaade. Dessas que esticamos a palavra e o abraço. Dessas que reparam o que mudou no teu rosto, daquelas que choram na rodoviária. 

Saudade do que a gente era e mais saudade ainda do que a gente não foi. Essa coisa de coração apertado, uma coisa meio Paralamas: "olhos fechados, pra te encontrar." Saudade de coisa gostosa, de correr de calcinha, tomar vinagre escondida ou fazer bolinha de cream cracker na boca. Saudade é uma coisa particular. 

Saudar a infância já me parece clichê. Nem sei se fomos essas crianças fofas e felizes que dizemos. Talvez a felicidade tenha chegado com o poder de escolha, e isso não quer dizer que a infelicidade também não tenha se alojado. Saudade é uma espécie de suspensão. É um pairar no ar com memórias e sensações. Saudade que se materializa em sorriso ou choro, num comprido e delicioso suspirar. 

Falar de saudade é repetir saudade várias vezes, porque nada consegue explicar. Saudade não tem tradução, talvez seja o que exista de mais subjetivo e ímpar. Imagina uma prova com a seguinte questão: desenhe a saudade. Seriam bolas, corações, bicicletas e cores. Ou penumbras, chuvas e bonecos sem expressão. Saudade de tu, saudade ela. Conjuga essa praga na pessoa que quiseres.

Mas te desejo saudades eternas, dessas de músicas indies ou de bregas rasgados, que movem o mundo e pequenos corações. "Hoje eu acordei me veio a falta de você, meu bem, saudade é pra quem tem". 


Trilha sonora: "Meu amor é teu" - Marcelo Camelo 
"Ainda gosto de você" - Sorriso Maroto
"Fui fiel" - Pablo do Arrocha

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Faça, meu caro

Parece clichê, e é. Aquilo que fazemos sempre será mais importante do que aquilo que aprendemos, somos e temos. Ser, não basta, não é verossímil. Ser, quem sabe? Você sabe? Por mais que todo mundo te diga quem você é, os anjos declamem, os ventos urrem, que as águas bramem [...] eles te convencerão da verdade? Por isso meu caro, faça. Nada pode refutar o que fazemos. Está feito. Faça-o bem - por você e pelos outros; o último é mais importante que o primeiro. 

Filipe Castelo para o Versus.


Resposta pro Fi

Fiz até quando já não queria
Tentei até a última força
O bem dos outros, já não era o meu
Caos
Angústia
Sou. Hoje mais serena
Já não quero agradar
Anjos, ventos e águas não me abateram
Eles nunca vão saber
O que nem eu sei. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ciclos, medos e palpitações

Achar
Inerente à busca
Achado
Presente depois da busca

Palpitar
O que faz o coração
Palpitando
É o que faz esse órgão agora

Medo
Me perpassa por vezes
Medrosa
Pode me definir por hoje

Ciclos
São necessários
Cíclica 
Pode ser a vida

O medo de achar que um novo ciclo começou faz meu coração palpitar.

Trilha sonora: "Conforme prometi no réveillon" - Djalma Lúcio

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um copo de desejo, por favor.

E observando as coisas, ela vê o mundo como um copo. 
Hoje cheio, outrora vazio. Matando a sua sede ou deixando a marca de batom. De todas as coisas do mundo, sede é o que ela mais tem. Sede do que não é seu (ainda), sede do que não viu. Escutando bossa nova, letra de Jobim e voz da "Da Mata", estes versos soaram como luvas: "aquela velha história de um desejo". Desejo de pele, de alma, de corpos pulsantes. Desejo pra ela é tão importante, que não aceita os que acabam sucumbindo-os. 

Chegando essa época do ano, tão cheia de apelos e modismos, os desejos afloram. Tudo em dobro. Salário, contas, compras pra fazer. Queria muitos dezembros no decorrer do ano. Pessoas fazendo pedidos, ajudando pessoas, organizando confraternizações. Abraços mais apertados, reconciliações (...) Meus desejos só aumentam, posso dividi-los em vários copos. Qual a medida do sonho que te embriaga? Uma dose, uma garrafa, um gole? Isso é por sua conta.

Não impeça quem se entrega de entregar-se. Não proíba copos virados. O fluido tem valor sentimental. A cada desejo uma delícia, um frio na barriga, uma noite às claras. Que o desejo encontre um copo, um vira-vira, VIROU!

Trilha sonora: "Aquela velha história de um desejo
que todas canções têm pra contar
e veio aquele beijo". (Fotografia - Tom Jobim)


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quase coito, sem sex appeal

O coito virou sujo
Não parece amor
Em cima de orgulhos
E não um do outro

O coito se envergonhou
Depois de conhecer a bagunça
O quarto desejado
Virou lugar para conversar

O coito se vestiu
Hoje parece incesto
Coisa de irmão
De médico virou casinha

O coito virou sonho
Daqueles de se olhar longe
Realiza-se na cama
Depois que fecho os olhos


Trilha sonora: "de te arrancar suspiros" (...)
Palpite - Calcanhotto

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

De 92 para 2009 (Parabéns, amico)

Odeio o modo como fala de gays
Quando fala de ética e desvio de conduta
Odeio suas perguntas incisivas
Cheias de auto verdades e certezas
Odeio quando fala dos meus amigos
E os compara com os seus
Odeio quando me deixa sem graça
Me xinga e ainda me explica metáfora
Odeio seus trejeitos “Félix”
Que ainda que negados estão implícitos em suas frescuras [bicha má]
Odeio quando faço a coisa certa e tu colocas um defeito
Odeio quando bebe do meu suco e monopoliza a conta
E odeio ter que copiar um texto de um filme pra terminar o meu:
“Mas odeio principalmente não conseguir te odiar”.


Trilha sonora: Dar-te-ei - Marcelo Jeneci
(a única mentira é que não te darei disco)