segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Faça, meu caro

Parece clichê, e é. Aquilo que fazemos sempre será mais importante do que aquilo que aprendemos, somos e temos. Ser, não basta, não é verossímil. Ser, quem sabe? Você sabe? Por mais que todo mundo te diga quem você é, os anjos declamem, os ventos urrem, que as águas bramem [...] eles te convencerão da verdade? Por isso meu caro, faça. Nada pode refutar o que fazemos. Está feito. Faça-o bem - por você e pelos outros; o último é mais importante que o primeiro. 

Filipe Castelo para o Versus.


Resposta pro Fi

Fiz até quando já não queria
Tentei até a última força
O bem dos outros, já não era o meu
Caos
Angústia
Sou. Hoje mais serena
Já não quero agradar
Anjos, ventos e águas não me abateram
Eles nunca vão saber
O que nem eu sei. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ciclos, medos e palpitações

Achar
Inerente à busca
Achado
Presente depois da busca

Palpitar
O que faz o coração
Palpitando
É o que faz esse órgão agora

Medo
Me perpassa por vezes
Medrosa
Pode me definir por hoje

Ciclos
São necessários
Cíclica 
Pode ser a vida

O medo de achar que um novo ciclo começou faz meu coração palpitar.

Trilha sonora: "Conforme prometi no réveillon" - Djalma Lúcio

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um copo de desejo, por favor.

E observando as coisas, ela vê o mundo como um copo. 
Hoje cheio, outrora vazio. Matando a sua sede ou deixando a marca de batom. De todas as coisas do mundo, sede é o que ela mais tem. Sede do que não é seu (ainda), sede do que não viu. Escutando bossa nova, letra de Jobim e voz da "Da Mata", estes versos soaram como luvas: "aquela velha história de um desejo". Desejo de pele, de alma, de corpos pulsantes. Desejo pra ela é tão importante, que não aceita os que acabam sucumbindo-os. 

Chegando essa época do ano, tão cheia de apelos e modismos, os desejos afloram. Tudo em dobro. Salário, contas, compras pra fazer. Queria muitos dezembros no decorrer do ano. Pessoas fazendo pedidos, ajudando pessoas, organizando confraternizações. Abraços mais apertados, reconciliações (...) Meus desejos só aumentam, posso dividi-los em vários copos. Qual a medida do sonho que te embriaga? Uma dose, uma garrafa, um gole? Isso é por sua conta.

Não impeça quem se entrega de entregar-se. Não proíba copos virados. O fluido tem valor sentimental. A cada desejo uma delícia, um frio na barriga, uma noite às claras. Que o desejo encontre um copo, um vira-vira, VIROU!

Trilha sonora: "Aquela velha história de um desejo
que todas canções têm pra contar
e veio aquele beijo". (Fotografia - Tom Jobim)


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quase coito, sem sex appeal

O coito virou sujo
Não parece amor
Em cima de orgulhos
E não um do outro

O coito se envergonhou
Depois de conhecer a bagunça
O quarto desejado
Virou lugar para conversar

O coito se vestiu
Hoje parece incesto
Coisa de irmão
De médico virou casinha

O coito virou sonho
Daqueles de se olhar longe
Realiza-se na cama
Depois que fecho os olhos


Trilha sonora: "de te arrancar suspiros" (...)
Palpite - Calcanhotto

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

De 92 para 2009 (Parabéns, amico)

Odeio o modo como fala de gays
Quando fala de ética e desvio de conduta
Odeio suas perguntas incisivas
Cheias de auto verdades e certezas
Odeio quando fala dos meus amigos
E os compara com os seus
Odeio quando me deixa sem graça
Me xinga e ainda me explica metáfora
Odeio seus trejeitos “Félix”
Que ainda que negados estão implícitos em suas frescuras [bicha má]
Odeio quando faço a coisa certa e tu colocas um defeito
Odeio quando bebe do meu suco e monopoliza a conta
E odeio ter que copiar um texto de um filme pra terminar o meu:
“Mas odeio principalmente não conseguir te odiar”.


Trilha sonora: Dar-te-ei - Marcelo Jeneci
(a única mentira é que não te darei disco)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um mundo depois da ponte

Essa história de viver em mundos diferentes sempre rende uma coisinha. As produções cinematográficas adoram esse tipo de pauta. "Ela fazia medicina e eu ainda nas aulinhas de inglês". É, parece que não é só no cinema. Que tal passear em outro mundo? Seria uma aventura andar por aí com alguém que gosta de química, não gosta de futebol e odeia acordar tarde. Que mundo estranho! Mas ele existe.  

Ou então alguém muito exotérico, que faz das fases da lua um norte a ser seguido e pauta suas ações pela posição dos astros?! Mundo cômico e cósmico, mas ele existe! Uma cabecinha sedenta por séries, quadrinhos e games?! Confesso que acho esse povo chato, mas admiro quem em um mundo tão complicado ainda mergulha em outros na busca de entretenimento.

Essa história de mundos é um pouco psicodélica. Porque até onde estudamos, habitamos o mesmo planeta: a Terra. A verdade é que só um limite de espaço não define um mundo. Posso ser mais japonesa em Chicago ou americana em São Luís. Roqueira no cacuriá ou caxeira na orquestra. Tudo é uma questão de ser. Ser triste, fechado. Ser feliz, aberto - ou menos fechado. A balança é por sua conta. 

Pense em passar por uma ponte. Antes dela, o outro lado parecia impossível. Um homem sem medo do lado de lá, arriscou. Hoje milhares de pessoas passam pela ponte. Por rotina, vontade ou pela necessidade do outro lado. Dois mundos, por vezes assustadores. Esquisitos, deselegantes e de todo modo felizes. Procure o amor antes de qualquer linguagem, longe de "eu te amos". Que tal: essa é minha música favorita, vamos para o outro lado? Bem-vindo ao meu mundo. 

Trilha sonora: "Pra te espiar, eu dou a volta no seu mundo" 
(Selva Branca - Carlinhos Brown)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Entre no banheiro



Adoro suítes. Quanto mais perto dele estiver, melhor pra mim. Tenho a necessidade de ficar desarmada ao menos uma vez. Ter meu reflexo refletido, deixar a lágrima rolar...Teu branco é mais paz do que uma pomba. Para minha solidão, o quarto já não basta. Tantas roupas me vestem, mas não vejo a hora de despi-las. Quando abro a tua porta sinto que o carnaval passou. Adeus fantasia, música e vendaval de paixões. Obrigada, banheiro! Por ser minha eterna quarta-feira de cinzas. 

Trilha sonora: "E lembrar sorrindo que o banheiro é a igreja de todos os bêbados" (Eu ando tão down - Cazuza)