quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Bicho sentimento
Sinto muito
Sinto tudo
Bicho de sentimento
Terceira lei de Newton
Sentido
Vejo poucos agora
Sinto não ter jeito
Já não sinto brisa, só tempestade
Meu desespero é sentir
Que sinto só
Ou que não sinto o mesmo
Sinto muito!
Sentir que a paisagem não muda
Sentimento de angústia
Lamúria de quem sente
Pouco inocente (sente) culpa
O mundo gira
Me excita
Compasso gostoso
Ninguém gosta de brochar
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Não deixa ar
Eu não sei rimar. Não sei esperar. Passo para não olhar. Me perturba qualquer que seja o ar.
Não sei conviver com o suspiro. Quero tudo muito logo. Me interessa o desatino. Não gosto de me acostumar.
Quando vejo o costume, já desenho o sofrimento que vem. Já me vejo na cena posterior. A película que me fará desacostumar.
As palavras sempre me exigem sofrimento, gelo e um pouco de álcool. Parece não ser possível passar por aqui sóbrio.
Se isso gira...eu quero ser tonto.
Deixa que eu vire teu rosto pra te beijar. Gosto das coisas pegadas. Gosto de trocar suor.
Não me importa tua pele pouco uniforme. Essa barba por fazer. Que cada vez que tu coças me tira do tédio.
Não deixa ar. Sufoca. Minha vontade e desejo de mais.
Embalados a vácuo - só assim seremos felizes. Se é que um dia isso existiu.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
O conto do quase
Estou em busca de conexões novas. Sem abandonar o velho hábito de me presentear com momentos só meus. As pessoas tiram não sei de onde, o direito de machucar corações. Sou bem ruim de legislação, mas sei que esse crime acontece. Às vezes é sem querer. Sem a intenção de matar. Mas dedo no gatilho nunca aponta pra coisa boa.
O fato é que sou daquelas pessoas que a gente abandona no altar. Pra mim parece o ápice do amor. Mas quando menos espero, me deparo com uma carta de recomendação na geladeira: por favor, desista de relacionamentos. Eu considero carta, mas na verdade é um bilhete. (que falta de consideração!) Saiu de casa sem gastar comigo ao menos um dedo de tinta na caneta. (que fase!)
Foi embora sem fazer barulho no portão. Sorrateiro e maligno. Pensando bem, quem sempre gritou aqui fui eu. Dona da bagunça, eu puxava a roda. Quando eu não metia o pé, não tinha samba. Belo covarde! Vai em silêncio, mas deixa meu juízo aos gritos.
O erro do intenso é procurar boa sombra. Quem entende tamanha vontade de viver? Quem pode segurar planos tão lapidados? Na arrumação da bagunça, às vezes não tem espaço pra mais um. Ainda mais se ele é artigo de decoração. Prefiro um ventilador de teto bem barulhento...ao menos deixa uma brisa quente ao rodar.
Eu não aceito, não aceito não...ver mais um quase indo embora. Vai entender, talvez foi por isso. A gente quase não se via, quase não se falava, quase sorria, quase se completava. Como vovó diria: se não fosse o "quase", a gente "era". Até que foi "era". Era uma vez, dois quases...
Trilha sonora: "Quase nada" - Zeca Baleiro
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Bilhete de rodoviária
Descobri-me um pouco rodoviária
Cinza, estranha e incomum
Momentos de vai e volta
Coisa de quem deixa ou não saudade
Um terminal com falhas
Panes de sistema e erros graves
Bilhetes fora de hora
Choros sem lenços e tchau
Lembrança vaga e forte
Coisa de quem viveu se despedindo
Sempre tão perto do longe
Rodada em rodoviárias
Todo mundo ali é um pouco triste
Todo mundo é triste quando é acostumado
Lanches e presentes ao fundo
Background de quem vai longe
Pinceladas de rodoviária
Vida agitada com muitas emoções
Quem eu amo nunca esteve tão perto
Hoje eu sei amar...só de longe!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Tesão no teu nome
Que bom que não te conheço
Que lindo nossos desencontros
Não saber tuas preferências
Nem teu sorvete favorito
Esse desconhecimento, que faz cada encontro ser o primeiro
O ciclo comprido que se repete em uma vastidão de dias
Eu estico a prosa
Fazendo versos
Não sei teu gosto por poesia
Pode ser nenhum
Mas eu escrevo até para as pedras
Me encanto fácil pelo silêncio
Bonitos nossos passos desencontrados
Essa coisa de não saber o que é
Perdidos não só no tempo, vagos no mesmo espaço
Que tesão é praticamente só saber teu nome
Trilha sonora:
"Até que nada aconteça, somente eu e você, no mundo da minha cabeça"
No dia que você chegou - 5 a seco
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Ah, matemática!
Venho pensando esses dias em qual seria minha luta diária. Logo eu que optei pelas humanas e sociais tenho calculado muito nos últimos tempos. Já estou até calculando quantos parágrafos irei escrever para que esse texto não se alongue tanto. Ando não olhando mais dez dedos nas mãos, mas contabilizando dez possibilidades de lembrar o que tenho que fazer.
Tenho lutado muito para ser um número. Uma estatística bem sucedida traduzida em uma placa, um placar, um cartão ou em um telefone. Estou traçando sagas numéricas em inscrições, quantidade de páginas e referências. Ah, matemática! Como eu te odiei. E hoje você vem me dando esse troco.
Tempos paradoxais e metafóricos. Fulguram as figuras de linguagem para dizer o não-dito. Perco-me em calcular o que não sei somar. Divido-me em tantas, subtraio meu eu e multiplico horas sem excitação. Em meio há tantos números, eu só queria ter com quem contar.
Trilha sonora: Luz Antiga - Nando Reis
domingo, 2 de novembro de 2014
Sobre sair de casa sem esperar
A poesia está escassa
Muita rotina
Muita rotina
Pobre menina
Era isso que sonhavas
Um despertador
Uma bolsa pesada
Muitas faturas
Que te fraturam
Era isso que queria
Um cronômetro zerado
Ligado ao primeiro suspiro matinal
Um cronômetro que luta contra si
Esperou muita coisa
Cronometrava a cada passo
Quanto tempo dura essa amizade?
Por quanto tempo faremos juras de amor?
Esperou pelo dia do "sim"
Espantou-se no dia do "não"
Já cronometrava o fim
Isso não foi uma surpresa
(consolava-se)
Libertou-se do cronômetro
Só não queria que o tempo se fosse
Olhou pro lado, sem ressalvas
Tirou o véu e viu um sorriso
Você sempre esteve aqui
Mas o relógio tornava seu pulso inebriante
Queria ser o teu relógio
Contar teu tempo e fazê-lo meu.
"O acaso é amigo do meu coração" - "Velho e o Moço" - Los Hermanos
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