sábado, 6 de julho de 2013

Poeminha de alcoólatra apaixonado

Um gole pra passar
Um porre pra esquecer
Uma noite pra dançar
Uns amigos pra rever

Um batom pra enfeitar
Um cabelo bem clichê
Um perfume pra cheirar
Uma saia pra rodar

Um trago pra se mostrar
Uma seda sem querer
Uns punks pra andar
Cadê você pra ligar?

A festa terminou
Voltei pra casa costurando
Uma mensagem de amor
E você nem me notou

Até agora não somos nada
Só você, inspiração
Te vejo no fim de cada taça
Vai ver que é por isso que bebo essa desgraça (...)

Trilha sonora: "O que eu bebi" - Clarice Falcão 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Fuck Cupido

Como sempre sistematizando tudo, já estou pensando no próximo passo. Em uma dessas conversas na madrugada, um amigo me perguntou:
- Você gosta dele?
Confesso que pensei por 5 segundos e respondi:
- Gosto!
Para qualquer tréplica nunca esperaria que meu amigo retrucasse:
- Amiga, gostar é muito sério!

Confesso que fiquei perdida, afinal sempre achei que o grande pânico fosse amar. Nesse momento, várias formigas me incomodam, me fazem sair do lugar, me coçar e de certa forma me irritam. Acho que elas possuem uma semelhança com o amor, que também nos deixa inquieto e cheio de agonias. Você pode conhecer o amor no pior momento, sabia?! Ele não costuma aparecer quando estamos arrumados e com hálito fresco. Ele gosta de te encontrar na vala, com cara de sono e provavelmente puto com alguma coisa. Incrível também é a capacidade de fazer "merda" diante dele, de fazer questão de quebrar a flecha (foda-se cupido) e tornar esse grande evento um fracasso. Ah, o amor, realmente tu és paciente.

Acredito de verdade que o amor seja pleno, mas quando os humanos colocam as mãos nessa cumbuca, a porra começa a ficar séria. Talvez o amor exija ausência de consciência, seja uma coisa instintiva, sem teorias. Por isso os animais são tão completos quando o assunto é o amor. Bino, é uma cilada! Mas hoje eu escolho cair. Há tempos estou fugindo dessa emboscada, desviando desse buraco, passando na outra rua para poder evitar. Oi amor, estou aqui. Com essa cara lavada e cínica. Hoje separados pelo que nos uniu, cheios de dramas, desculpas e raivas, ainda assim, eu quero apostar.

Pode ser que não aconteça nada, mas ao menos me rendeu bons pensamentos. A gente nunca sabe quando ou o porquê. Talvez essa seja toda graça. Acho que Camelo me entende. Entende os meus desvios, meu pouco caso, minha porra louquice. Com mania de atraso, errando o endereço..."eu que já perdi a hora e o lugar, aceito". 

Trilha sonora: "Vermelho"- Marcelo Camelo

domingo, 21 de abril de 2013

Não tô pra espelho

Para qualquer afastamento, dai graças! Não só os cristãos querem ser livres do mal. Seja sincero consigo mesmo, saiba que o que é seu de verdade está ao seu redor. Seu celular, seu travesseiro, sua família, sua bolsa. Não chore migalhas. Não desperdice palavras doces com quem só tem sal para lhe oferecer. Saiba aceitar a distância. Não tente encurtar o que já está mais que esticado. Mola desfeita não vira mola de novo, nem a pau. 

Aceite fechar a porta, esperar menos e seguir a vida. Observe que enquanto você fica remoendo, o mundo já tem uma nova rotina. Aprenda a desbravar novas conversas, sorrisos e segredos. "Você faz falta" está longe de ser uma sms embriagada ou uma sexta solitária. Não convenha para quem não convém, a vida ensina. Deixe que o tempo faça sua  parte.

Ex amor, ex amigo, ex sorriso, ex afeição. Nunca gostei de pouco, esmola de bombom ou 5 centavos. Olhando pro seu novo horizonte, me deu vontade de refazer o meu. Tem gente que só gosta de quem olha na mesma direção, por isso é tão difícil pra mim, que nunca gostei de mesmice. Os olhares precisam de intersecção, mas se enxergam as mesmas coisas, perdem toda a magia da pluralidade. Eu, pelo menos, nunca me peguei apaixonada pelo espelho.


Trilha Sonora: "Teatro dos Vampiros" - Legião Urbana
"Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto"

sexta-feira, 29 de março de 2013

Cazuza, me dê motivos

Um dia você para e pensa o porquê de ser fã de alguém. Alguém que não conheceu e que nem tão pouco estava viva quando sua obra estava a todo vapor. Hoje existe uma crise de ídolos, pessoas que você admira ou como queiram classificar. Existe uma legião chata que inventa histórias, põe defeitos e quer de toda forma dizer que é errado ser fã. Sou fã de Cazuza, porque apesar de tudo, ele me deu motivos (...) 

Contar casos e besteiras sempre foi o meu forte, acho um porri os fãs de conversa engajada toda hora. Parece que todo dia querem escrever um artigo para publicar. Com certeza você já inventou um codinome para falar de alguém, um nomezinho fofo, um enigma para não declarar sua paixão pra todo mundo. Quem nunca fez um show na pia do banheiro, com promessas malucas depois de uma bebedeira? Declarou guerra aos sacanas e prometeu nunca mais sofrer por eles? Quem nunca culpou a burguesia pela falta de poesia nessa vida louca?

Um dia a ficha caiu e vi que o trem pras estrelas só vai partir se for a dois. É difícil entender que a boa vida não é a boemia que você imaginava. Andar por aí fazendo check-out e já pensando nos próximos hotéis, em qual dia terei a mesma liberdade sem ninguém em casa me esperando. E o mais incrível é que diante de tudo isso: solidão, que nada. Eu desisti de procurar coisas e cores pra te prender, hoje prefiro o sonho bom. Depois daquele poema, amor da minha vida, vi que tudo é questão de obedecer. E agora? Eu não sou obediente!

Não desejo mal nenhum à você e aos brotinhos que fazem você andar por aí muito bem acompanhado. E sabe, aquela versão de as rosas não falam um dia vai falar por mim. Me leve, na sua orelha fria perturbando teus pensamentos com segredos só nossos. Agora acabou, motivos temos de sobra. Silêncio no estúdio!

Trilha sonora: baixa a discografia completa!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pê de poesia

Teu dia, poesia
O que comemorar?
Te guardo na gaveta
Já não te levo pra passear

Quantos embalos, consolos
Abraços e explicações
Grande amiga, poesia
Consegue me tirar do chão

Feliz quem é poeta
Hoje já nem sei
Quem brinca com a palavra
Quem dela é freguês

Quem dera a vida ser como tu
Cheia de beleza, longe de tormentos
Parabéns, "puta velha"
Que tu sejas pra sempre deleite

Trilha sonora: "Poema Quebrado"- Oswaldo Montenegro

domingo, 3 de março de 2013

A vida e os gabaritos

Do fundo do meu coração desejo que ao menos uma vez na vida sejam felizes com suas escolhas. Que não se arrependam de escolher sorvete de chocolate, mesmo que o morango do amigo esteja gostoso. Que não se arrependam de escolher carne, mesmo olhando o frango ali do lado. Que não se arrependam de comer salada só para entrar na calça 38. O arrependimento sempre quer nos abater, ofuscar nosso brilho. Escolhas exigem coragem, renúncias, mas são elas que nos fazem humanos. Desejo então que sejam humanos, escolham. 

Escolha ser feliz, por mais "Augusto Cury" que isso possa parecer. Escolha ser protagonista dessa tal felicidade, fazer feliz é bom, mas imagina quão bom ser também é. Quase um paradoxo. Mentiras são infelizes por natureza, mentir para os outros, mentir para si. Certamente nos renderá arrependimentos, logo, tristeza. Silogismo básico. Seja feliz com o que tem, com o que é seu, com o que quer ser seu. Escolha dentro das opções e por mais difícil que seja, "N.D.A" (nenhuma das alternativas) pode ser a resposta. Se for assim, busque, no mundo ainda existem "A's e B's" por aí esperando para serem marcados.

Trilha sonora: "Outro sim, outra trip, outro tchau"
Às vezes - Tulipa Ruiz

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Minha nada mole bolha

Quem olha uma situação de fora entende melhor? Não sei, mas talvez enxergue o que o (s) envolvido (s) não queiram. É aquela coisa da invasão da minha bolha, pra quem fica dentro da mesma o local parece confortável e seguro, mas quem observa de fora olha toda a fragilidade e bagunça que existe ali dentro.

Não serei a primeira a falar o quanto opiniões são difíceis de serem aceitas, algumas queremos anular, outras sequer consideramos, outras são gostosas de ouvir, mas nada que possa comprometer nosso castelo na bolha é aceito com louvor.

Do nada me veio à mente uma música bem "mimimi", ela nem estava nos meus planos, mas, "sensível demais, eu sou um alguém que chora" (...) Acho que até entendo o porquê dela, foi em uma conversa com um sensível masoquista que me veio a temática desse post.

Será que minha bolha é melhor entendida pelos olhares curiosos dos meus vizinhos? Nem sei, mas se fosse descrever minha bolha diria que ela é turva, um tanto misteriosa, pra dá mais emoção e afastar essas opiniões que tanto assustam.

Acho que a frase mais engraçada que existe é: "Eu não me importo com a opinião dos outros". Umas três perguntas derrubam essa afirmação, e olha que eu era uma seguidora fiel dessa filosofia. Hoje, um pouco menos radical, prefiro: "Eu não me importo com a opinião de certos outros". Pouca coisa mudou, no mais espero que entendam o "de certos".

Mesmo com toda a tecnologia, um binóculo não é o mesmo que olhar de perto. O zoom sempre diminui a qualidade da imagem. E a própria fotografia nunca vai demonstrar por completo a sensibilidade do autor. Olhar de longe sempre é cômodo, é aquela coisa "easy" de camarote. Narrar o jogo, fazer o gol, sempre é mais fácil quando não se está em campo.

Sempre teremos opinião sobre a bolha alheia, como melhorá-la, torná-la mais dinâmica e até mesmo feliz. O morador da bolha, de principal passa a coadjuvante, pela lei deve ficar refém das opiniões sobre a sua bolha e ainda por cima mudá-la a qualquer momento que for requisitado.

Cruel, eu acho. A natureza de uma bolha é tão livre para ser controlada. Deixemos as bolhas bailarem, se encontrarem, colorirem essa imensidão que é tão cinza. Cada bolha carrega tantas expectativas e uma beleza sem igual. Pequenas, grandes, efêmeras ou duradouras, mas sempre bolhas.

Lembra de quando você soltava bolhas? Pois é, considere que o seu sopro agora são opiniões, sopre-as com jeitinho, mas intensamente, para que elas cresçam e voem por aí. Sem opiniões as bolhas não existem, mas quando sopradas sem freio acabamos por ficar apenas com um gosto de sabão ruim na boca e com a vida vazia de bolhas.

Trilha Sonora: "Açúcar ou Adoçante" - Cícero
"Entra pra ver, mas tira o sapato pra entrar"